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Letícia Ribeiro – enfermeira e coordenadora da equipe de transplante

Desde os 12 anos sonhava em ser enfermeira de Oncologia Pediátrica. Faz oito anos que sou formada e, logo no meu primeiro ano de faculdade, eu comecei a fazer pesquisa voluntária na parte de enfermagem do GRAAC - Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer. Hoje, com 31 anos, me sinto privilegiada por trabalhar com o que amo e tenho muito orgulho de fazer parte da equipe de transplante de medula do hospital.

Como trabalho em uma instituição sem fins lucrativos que trata uma doença crônica, há dezenas de preocupações diárias. Trabalhar diretamente com a doença já nos deixa sensíveis, o nosso emocional está o tempo todo sendo testado, pois os tratamentos são longos, delicados e as famílias acabam ficando muito tempo por perto. E, por mais que a gente espera que todos os pacientes fiquem bem, até isso acontecer, há bastante sofrimento envolvido.

Além do cansaço físico de quando fico dentro da área assistencial, onde ficamos muito tempo em pé, ainda há o cansaço emocional, que se divide em vários: há o envolvimento com as famílias, com os pacientes e com o próprio GRAAC, afinal ele é um hospital filantrópico que precisa de muitas doações para garantir a qualidade. Não há como não se envolver nisso tudo, principalmente, porque trabalhamos com crianças.

Diariamente me preocupo a cada notícia recebida, em como a família está, em como ela pode reagir, em como meu paciente vai ficar e, acima de tudo, preciso organizar o serviço para que ele funcione bem. Fico o tempo todo atenta se os meus funcionários estão aptos a prestar uma assistência de qualidade e, quando necessário, eu os acolho e procuro deixá-los calmos.

Meu vínculo com o meu trabalho é imenso, há muito carinho, muita dedicação e ainda tenho muito que aprender e a contribuir. Me orgulho de fazer parte disso tudo, saber que tem um peso social e, principalmente, saber que o meu trabalho marca as vidas das pessoas. Isso me torna uma profissional melhor, um ser humano melhor. É muito mais do que uma questão de remuneração financeira, tem a ver com o que eu acredito da vida, com o meu compromisso como pessoa, com a minha crença religiosa. Ir ao trabalho todo dia é o que me completa, é parte da minha missão é o que me faz feliz. Sou muito grata por trabalhar com que eu amo e quero me sentir assim pela vida inteira.